A muito eficiente jornalista do
Jornal Nacional, Maju Coutinho, foi vítima de ataques de racistas pela
internet. Algo horrível que tem, como
todo o racismo, de ser combatido; fruto do crescimento de um fascismo cibernético em nosso país, principalmente contra minorias; fruto e causa de um aumento do
conservadorismo reacionário presente no Congresso Nacional. Mas temos de ter
cuidado na forma como rebatemos tais ofensas para não estarmos criando um tipo
de discriminação muito mais sutil, uma espécie de racismo meritocrático.
A questão torna-se “Por que uma
mulher bem sucedida recebe ofensas pela
cor de sua pele?” quando deveria ser uma pergunta mais ampla “Por que uma
mulher é ofendida por ser negra?”. É uma
individualização da questão que impede uma luta mais concreta contra o racismo, sendo a maior prova como o Jornal Nacional está interessado em defender sua
funcionária (com toda razão e ela merece toda defesa possível) do que, além de
defende-la como individuo, também procurar debater o racismo de forma
sistemática.
Acontece algo parecido em relação a
dependentes químicos. Enquanto há centenas nas crackolândias, a mídia tem uma tendência geral em focar em
celebridades em suas lutas contra as drogas, a entrada delas em suas vidas e a luta
para sair. Por que para quem está no
alto das classes sociais, a questão das drogas é realmente algo da alçada da saúde
e não caso de polícia. Para os que estão
embaixo, devemos é descer o sarrafo mesmo.
É uma triste lógica de
individualizar um problema naqueles que
são ditos “merecedores” pelo sistema e esquecer o coletivo. A defesa da pessoa é
importante principalmente para ela como ser individual, mas podemos fazer com que a defesa individual esteja acompanhada pela discussão do problema em
seu viés coletivo. Se não enquanto Maju da Globo é protegida teremos milhares
de Majus que não são.
p.s. #SomosTodosMaju não é a
hashtag mais correta sobre o assunto. É um gesto bonito e decente, mas é
ineficaz, principalmente por que em uma sociedade cheia de preconceitos e
discriminações não somos todos os iguais. E temos de encarar isso o mais rápido
possível.
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